sexta-feira, 26 de março de 2010

JAD (Joint Application Design) - Técnica de levantamento interativo

No desenvolvimento de sistemas, uma das tarefas mais difíceis é conseguir extrair do cliente todos os requisitos necessários a fim de retratar fielmente o processo de negócio que será implementado por meio de um sistema informatizado.

Esta dificuldade tem várias causas possíveis: muitas vezes os requisitos não estão suficientemente claros para o próprio cliente do sistema; os processos de negócios passam por áreas e pessoas diferentes e nem sempre elas concordam sobre quais são os requisitos do sistema; outras vezes, o cliente aproveita a oportunidade de informatizar o processo de negócio para rever o próprio processo e essas duas atividades acabam se confundindo; o cliente pode mudar de ideia ao longo do tempo e um requisito definido no início da especificação pode estar diferente no final.

Para minimizar estes problemas, uma solução é reunir todos os envolvidos com a definição dos requisitos e fazer um esforço concentrado para levantar os requisitos do sistema no menor espaço de tempo possível.

Uma boa ferramenta para promover este tipo de dinâmica é o JAD (Joint Application Design). O JAD é uma técnica de levantamento interativo, criada por dois profissionais da IBM do Canadá na década de 1970 onde, em uma ou mais sessões, são reunidos todos os interessados no assunto para tomar as decisões sobre o mesmo. A técnica tem uma abordagem voltada para o trabalho em equipe e visa definir um modelo de solução de problemas baseado em CONSENSO.

A dinâmica do JAD:

São feitas reuniões participativas, chamadas de sessões, envolvendo representantes de todas as áreas relacionadas com os assuntos em discussão.

As regras da sessão:
  • Todos os participantes são iguais. Nas sessões JAD, a estrutura hierárquica e de poder são deixadas do lado de fora. Todas as posições tem o mesmo peso e serão avaliadas pelo grupo sem levar em conta qual é a origem da mesma.
  • Apenas uma pessoa fala de cada vez. Assim todos terão chance de expressar a sua opinião e de ouvir as opiniões do restante do grupo.
  • Todas as opiniões são válidas. É preciso não ter uma posição pré-concebida sobre as opiniões dadas.
  • Hora para começar, interromper e terminar. É necessário definir uma agenda para as sessões e cumpri-la à risca.
  • Celular desligado. Durante a sessão não devem acontecer interrupções externas.
  • Recursos visuais. Utilizar intensivamente recursos visuais para tornar o projeto do sistema mais palpável e permitir que ele seja entendido pelos diversos participantes. Uma fotografia é mais explicativa e rica em detalhes do que 1000 palavras para a descrição de um fato.
Os papeis na sessão:
  • Sponsor (Patrocinador). É o executivo responsável pelo projeto, o dono do sistema. Ele precisa ter autonomia para tomar decisões, definir estratégias e direcionar o trabalho.
  • Facilitador. É o responsável por conduzir a sessão. Ele não precisa ser um especialista no assunto que está sendo tratado. Ele deverá estar focado em organizar a dinâmica, dando a palavra a cada participante, obtendo o consenso sobre os assuntos tratados, organizando o registro das decisões e intermediando os conflitos.
  • Escriba. É a pessoa responsável por registrar todas as discussões e decisões em um local que todos possam visualizar, como um quadro ou flip-chart.
  • Documentador. É o responsável por registrar todas as decisões em um documento formal, como uma ata de reunião ou uma especificação de requisitos, que será assinado por todos ao final das sessões.
  • Especialistas. São as pessoas que tem conhecimento do assunto que está sendo discutido e que podem efetivamente contribuir para a discussão e na tomada de decisões.
  • Observadores. São pessoas que estão na sessão apenas para conhecer mais do assunto que está sendo tratado ou para assimilar a técnica da reunião. Os observadores não podem se manifestar durante a sessão.
Os fatores de sucesso:
  • A sessão precisa ter presente as pessoas que tem poder de decisão sobre o assunto tratado, pois, não adianta tomar decisões durante a reunião que poderão ser contestadas quando todos voltarem para o escritório.
  • As decisões precisam ser tomadas por consenso, pois, todos os participantes da sessão precisam sair de lá comprometidos com as definições registradas.
  • As sessões devem ocorrer fora do ambiente de trabalho dos participantes para evitar interrupções e prevenir que os participantes se vejam tentados a tratar de assuntos ligados a sua rotina diária.
  • Não deixar que os participantes imponham suas opiniões em função do seu nível hierárquico, para evitar que pessoas de nível hierárquico mais baixo fiquem constrangidas em debater ou discordar.
  • Definir claramente qual será o produto gerado no final das sessões.
Os benefícios esperados em relação aos métodos tradicionais:
  • Maior produtividade. Estudos relatam aumentos de 20 a 60% na produtividade, em relação aos métodos tradicionais.
  • Maior qualidade. Usuários e analistas de sistemas costumam citar “projeto de softwares de alta qualidade” como sendo o maior benefício do método.
  • Trabalho em equipe.  Promove o espírito de cooperação, entendimento e trabalho em equipe.
  • Custos mais baixos. O projeto de alta qualidade, obtido através do JAD, possibilita uma grande economia de tempo e dinheiro mesmo após a entrega do sistema.

quarta-feira, 10 de março de 2010

MPT.BR - Modelo de maturidade em teste de software

Assim como existem modelos para medir a maturidade de uma empresa no desenvolvimento de software, tais como MPS.BR e CMMI, existem também modelos para medir a maturidade da organização no processo de teste do software.

Aqui no Brasil está sendo desenvolvido o modelo MPT.BR - Melhoria de Processo de Teste de Software Brasileiro.

Duas entidades trabalham em conjunto no seu desenvolvimento:

  • ALATS – Associação Latino Americana de Teste de Software
  • RIOSOFT – Sociedade Núcleo de Apoio à Produção e a Exportação de Software

O conceito do modelo de maturidade no teste é o mesmo do modelo de maturidade no desenvolvimento de software. Ambos procuram determinar em que estágio de maturidade a organização se encontra naquele assunto e classifica os diversos estágios em diferentes graus de maturidade.

Segundo a ALATS, o MPT.BR foi criado com o objetivo de manter a compatibilidade com o MPS.BR e com o CMMI e permitir que empresas que implementaram um dos dois na sua área de desenvolvimento, possam, com um pequeno esforço adicional, aumentar o nível de maturidade da sua área de teste de software. Entende-se que a melhoria da área de desenvolvimento, por si só, é insuficiente para que os resultados melhorem substancialmente. Acredita-se que seja necessária uma melhoria de maturidade também da área de teste de software.

O MPT.BR é leve e passível de ser adotado por áreas de teste de software para apurar o seu nível de maturidade, sem com isso onerar os seus processos anteriormente implementados. O objetivo principal será garantir que áreas de teste de software de tamanho reduzido possam ser avaliadas e estimuladas a alcançarem níveis maiores de maturidade, sem que para isso tenham que incorrer em altos custos operacionais.

Os critérios usados pelas duas entidades na estruturação do modelo foram:

  • Definir critérios que garantam a qualidade do processo de teste de software
  • Não criar nada novo, logo a base é um modelo de melhoria do processo de desenvolvimento de software, no caso o MPS.BR (ou CMMI), já existente no mercado
  • Poder ser usado por áreas de teste de software de empresas pequenas, médias e grandes
  • Permitir a evolução das áreas de testes atingindo níveis mais altos de maturidade e, conseqüentemente, níveis mais altos de qualidade

Os níveis de maturidade definidos no modelo são:

  • Nível 1 Gerência de Projetos de Teste - GPT
  • Nível 2 Gerência de Requisitos de Teste - GRT
  • Nível 3 Aquisição – AQU (opcional); Gerência de Configuração – GCO; Garantia da Qualidade - GQA; Medição - MED
  • Nível 4 Gerência de Recursos Humanos - GRH; Gerência de Reutilização - GRU (opcional)
  • Nível 5 Desenvolvimento de Requisitos - DRE; Integração do Produto - ITP; Validação - VAL (opcional); Verificação
  • Nível 6 Análise de Decisão e Resolução - ADR; Desenvolvimento para Reutilização - DRU (opcional); Gerência de Riscos - GRI
  • Nível 7 Análise de Causas e Resolução de Problemas

Abaixo, estão listados alguns outros modelos de maturidade de teste existentes no mercado:

  • Testability Suport Model (TSM)
  • Testing Maturity Model (TMM)
  • Test Process Improvement (TPI)
  • Test Organization Maturity (TOMtm)
  • Testing Assessement Program (TAP)
  • Testing Improvement Model (TIM)
  • Outros (Ex.: MMT)

Porém, os diversos modelos existentes apresentam alguns problemas que acabaram por levar à definição do modelo MPT.BR:

  • Não existe uma entidade no Brasil responsável pela manutenção dos modelos
  • Foram elaborados por entidades privadas
  • Não são fáceis e nem baratos de serem implementados

Comparação entre os níveis de maturidade do CMMI, MPS.BR e MPT.BR:

  • MPT: Nível 1 - MPS: Sem correspondência - CMMI: Sem correspondência
  • MPT: Nível 2 - MPS: Nível G - CMMI: Sem correspondência
  • MPT: Nível 3 - MPS: Nível F - CMMI: Level 2
  • MPT: Nível 4 - MPS: Nível E - CMMI: Sem correspondência
  • MPT: Nível 5 - MPS: Nível D - CMMI: Sem correspondência
  • MPT: Nível 6 - MPS: Nível C - CMMI: Level 3
  • MPT: Nível 7 - MPS: Nível A - CMMI: Level 4, 5


terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Dia Mundial da Internet Segura

9 de fevereiro é o Dia Mundial da Internet Segura.

O Dia da Internet Segura ("Safer Internet Day") é uma iniciativa que mobiliza países de todo o mundo para promover o uso seguro da internet. Essa ideia foi organizada pela Rede Insafe, que agrupa as organizações que trabalham na promoção do uso consciente da internet nos países da União Européia. Este ano, o tema central é "Pense antes de postar". No site do Programa, você encontra cartilhas, jogos, vídeos e muitas atividades voltadas para a conscientização de crianças, jovens e adultos sobre a utilização da internet.

Dia da Internet Segura - 2010

Em sintonia com essa comemoração, o Ministério Público de Minas Gerais lançou hoje a segunda edição da cartilha "Navegar com Segurança". Em breve, o material estará disponível para download no site da Promotoria de Crimes Cibernéticos. Por enquanto, você pode conferir a primeira edição da cartilha:

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Virtualização e Computação em nuvem

Na área de TI, de tempos em tempos, alguns termos entram na moda e passam a ser repetidos como um mantra. Atualmente, um dos termos mais citados é a "Computação em nuvem" (*) (ou, em inglês, Cloud computing) que é um conceito que deriva do conceito de "Virtualização", que é outro hit do momento.

Assim sendo, aproveitando a oportunidade, vamos ver do que se tratam estes dois termos e tentar esclarecer um pouco dos conceitos por trás dos mesmos.

Primeiro, é preciso tomar certo cuidado, pois, como todo termo que se torna moda, a "Computação em nuvem" já foi adotada pelo marketing e, dessa forma, qualquer produto que quer se mostrar como moderno e antenado é classificado como "Cloud", o que nem sempre é verdade.

Virtualização de servidores

A virtualização de servidores é a tecnologia capaz de simular ambientes totalmente autônomos em uma mesma máquina física. Ou seja, é a possibilidade de criar maior quantidade de servidores lógicos do que se dispõe de servidores físicos.

Essa é uma tecnologia que não é exatamente recente, ela já é usada nos mainframes desde a década de 1960.

A virtualização de servidores proporciona redução nos custos de aquisição dos servidores físicos, facilita a administração, diminui os recursos de infra-estrutura necessários para hospedar os servidores e o consumo de energia

A virtualização pode ser feita com a instalação de uma camada software desenvolvida especificamente para esta finalidade. Os principais fornecedores são: VMware, Citrix e Microsoft.

Uma infra-estrutura virtual consiste nos seguintes componentes:

- O monitor das máquinas virtuais, conhecido como Hypervisor;
- Os serviços de infra-estrutura virtual, como gerenciamento de recursos e backup consolidado, para otimizar os recursos disponíveis entre as máquinas virtuais;
- Soluções de automação que oferecem recursos especiais para otimizar um processo de TI específico, como provisionamento ou recuperação de desastres.

Você pode virtualizar um servidor físico, transformando-o em vários servidores virtuais, como pode virtualizar vários servidores físicos em conjunto transformando-os em outro conjunto de servidores virtuais.

Principais benefícios da virtualização:

- Diminuição do espaço físico, do cabeamento e do consumo de energia;
- Facilitação do gerenciamento e manutenção;
- Mais facilidade de monitoramento do ambiente, com diversas métricas de medição do consumo de hardware;
- Flexibilidade e escalabilidade;

Principais dificuldades encontradas para implantação:

- Resistência dos fornecedores de software em relação à compatibilidade com os servidores virtuais;
- Nem todos os produtos são suportados pelos fabricantes em ambiente virtual;
- A administração do ambiente fica mais complexa, podendo dificultar que se encontre a causa raiz de um problema. Para minimizar isso, é preciso investir em treinamento e em ferramentas de monitoramento e diagnóstico.

Computação em nuvem (Cloud computing)

Computação em nuvem está intimamente relacionada com a virtualização e pode ser considerada a versão "nas nuvens" dessa tecnologia.

A Computação em nuvem é fruto da convergência de diferentes tecnologias já existentes: Software como serviço (Software as a service - SaaS), Computação em grid (Grid computing) e a própria virtualização.

Ela se apóia principalmente nas possibilidades de conexão e interatividade permitidas pela internet para proporcionar aos usuários acesso a data centers remotos administrados por terceiros.

Trata-se na verdade da transferência dos recursos computacionais antes localizados nas estações de trabalho e servidores locais para estruturas tecnológicas localizadas em local fora do nosso ambiente.

Os exemplos mais comuns são os serviços de webmail e de edição de documentos, que hoje permitem que as mensagens e documentos fiquem armazenados na nuvem e possamos acessá-las de qualquer lugar em que haja conexão com a internet.

Para as empresas, a Computação em nuvem permite a flexibilidade e a elasticidade dos data centers, pois, a contratação dos serviços de processamento, armazenamento, backup, etc. pode ser feita de acordo com a demanda de momento, sendo mais fácil tratar os casos de sazonalidade.

Este conceito, ainda é adotado de forma tímida pelas empresas, em função do receio em relação às questões de segurança, confidencialidade, disponibilidade e responsabilidade legal.

(*) Em português, tem-se adotado outras variações para "Computação em nuvem", como "Computação nas nuvens" ou "Computação na nuvem", mas, eu prefiro adotar a primeira forma, pois, acredito que ele representa melhor o conceito que se deseja transmitir.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Contrato CLT X PJ: Planilha com IRPF e INSS 2010

Anteriormente eu comparei o salário com carteira assinada (CLT) e o faturamento necessário como pessoa jurídica (PJ), para que houvesse equivalência entre os dois.

Disponibilizei, ainda, uma planilha para simulações, porém, com a mudança anual das tabelas de desconto do imposto de renda de pessoa física (IRPF) e do INSS, a planilha fica desatualizada. Assim sendo, eu estou disponibilizando uma nova versão da planilha, com as tabelas de desconto do imposto de renda retido na fonte e do INSS configuradas para 2010. A planilha atualizada pode ser encontrada em:

http://guiarapido.tripod.com/arq.html

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

SLA e sua sopa de letras

Eu já falei anteriormente sobre SLA (Service Level Agreement ou Acordo de Nível de Serviço), inclusive, com um exemplo prático.

Porém, existem diversas siglas associadas ao SLA, formando uma verdadeira sopa de letras. Cada uma destas siglas representam conceitos associados ou complementares ao SLA. Assim, para enriquecer o entendimento sobre o assunto, eu vou listar os principais termos usados pelo mercado e conceituá-los.

SLA - inglês: Service Level Agreement - português: Acordo de Nível de Serviço

É um contrato entre um fornecedor de serviços e um cliente, especificando em termos mensuráveis, quais serviços o fornecedor vai prestar. O objetivo principal do SLA é garantir contratualmente, características de qualidade, eficiência e eficácia dos produtos e serviços disponibilizados para os clientes.

O SLA estabelece uma sintonia entre a empresa, o cliente e o fornecedor. Dessa forma, o cliente sabe o que esperar da empresa e a empresa somente irá acertar as entregas conforme o combinado com o cliente e o fornecedor. Alguns resultados viabilizados pelo SLA são a redução de custo, o incremento da satisfação dos usuários e a maior disponibilidade dos serviços de TI.

SLM - inglês: Service Level Management - português: Gerenciamento de Nível de Serviço 

É o processo responsável por monitorar e relatar o cumprimento ou não dos níveis de serviço acordados. É, por isso, uma disciplina extremamente estratégica para as organizações, pois permite também monitorar de forma precisa os serviços prestados, fundamentando iniciativas de melhoria contínua.

OLA - inglês: Operational Level Agreement - português: Acordo de Nível Operacional 

Um ponto muito relevante para estabelecer os SLAs com os clientes, são os OLAs, que são os acordos estabelecidos com os fornecedores internos de serviços e que irão dar o suporte necessário para o cumprimento dos acordos externos.

UC - inglês: Underpinning Contract - português: Contrato de Apoio 

Outro ponto importante para estabelecer os SLAs, são os UCs, estes são acordos estabelecidos com fornecedores externos. Isso porque, para fazer um contrato de nível de serviço com o cliente, é necessário que os responsáveis saibam, antes, os parâmetros que seus fornecedores vão oferecer.

Como diretriz para o gerenciamento de SLA, deve estar previsto que os contratos firmados com os prestadores de serviços devem ter SLA compatível com aquele firmado entre a Companhia e o cliente; da mesma forma, os SLAs devem ter suporte de acordos operacionais internos (OLAs) e externos (UCs) que permitam monitorar e atingir as metas definidas.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

O que é BPO?

"A contratação de uma empresa para prover serviços para tarefas específicas dentro da sua organização, garantindo o nível de serviço".

Isso é BPO (sigla para Business Process Outsourcing ou, em português, Terceirização de Processos do Negócio). Ele é adotado com o objetivo de diminuir custos em tarefas que não sejam claramente relacionadas ao negócio fim da empresa. Outras metas buscadas com a implantação desse modelo de gestão são o aumento da produtividade, da capacidade de inovação e como vantagem competitiva, tendo em vista que os maiores esforços e o foco da organização ficam direcionados aos seus processos chaves.

Tradicionalmente, o modelo BPO é utilizado por empresas de manufatura. Um exemplo clássico é a Coca-Cola, que terceiriza toda a cadeia de suprimentos e é hoje praticamente uma empresa focada em marketing. Porém, atualmente o BPO está cada vez mais sendo usado por empresas de serviços, notadamente do setor de Tecnologia da Informação.

O BPO é mais específico do que uma simples terceirização (ou outsourcing). É o fornecimento de soluções desenvolvidas após uma análise profunda dos processos da empresa que propõem uma remodelação atrelada a inovações e adoção de tecnologias para melhorar o desempenho e a qualidade.

As fornecedoras de BPO podem assumir todas as operações “meio” das companhias, ou seja, tudo aquilo que não faz parte dos seus negócios principais. São prestadoras de serviços cujas atividades vão desde a gestão informacional por meio de organização, BackOffice, guarda, digitalização e gerenciamento de documentos até a auditoria dos processos e contas, passando pela gestão da cadeia logística e de suprimentos em plataformas integradas de serviços, infra-estrutura e softwares.

Embora o conceito de terceirização ainda seja incipiente no Brasil (contratado só por 15% das empresas), trata-se de uma área que deve movimentar R$ 12 bilhões no País só em 2010, segundo o IDC (International Data Corporation).

No setor, o serviço que mais cresce é o BPO que, segundo o Instituto Gartner, evolui mais de 8% ao ano em função da difusão do conceito de serviços compartilhados. Essa taxa de crescimento deve ser estimulada pela manutenção de segmentos que já são grandes usuários como atendimento ao cliente e finanças, e pela entrada de novos setores como compras - cuja adoção deve crescer 27% e recursos humanos, cerca de 24%.

Os especialistas da IDC Brasil listam alguns passos a serem seguidos antes de adotar o modelo BPO:

  1. Mapear a organização; 
  2. Identificar os parceiros adequados; 
  3. Conquistar o comprometimento da empresa como um todo; 
  4. Definir os indicadores ideais de negócios (que permitam elaborar acordos de níveis de serviço - SLA's); 
  5. Definir bônus e penalidades, representando uma mudança na relação entre fornecedores e clientes. 

Os problemas mais comuns encontrados na adoção prática do BPO são:

  1. Não cumprimento dos níveis de serviço acordados; 
  2. Cláusulas contratuais que não são claras; 
  3. Alteração dos requisitos, gerando despesas imprevistas; 
  4. Dependência do BPO, reduzindo a flexibilidade da organização. 

Um desdobramento de BPO é o KPO (Knowledge Process Outsourcing ou, em português, Terceirização de Processos de Conhecimento), que inclui atividades que exigem maior habilidade e conhecimentos especializados para a execução. Por exemplo, enquanto uma companhia de seguros pode terceirizar a entrada dos dados de seus clientes como parte de uma iniciativa BPO, ela também pode optar por utilizar um prestador de serviços KPO para avalizar novos pedidos de seguro com base em um conjunto de critérios ou regras de negócio. Evidentemente, este trabalho requer os esforços de um conjunto de trabalhadores mais especializados.

Outra tendência que começa a ser difundida também é o termo BTO (Business Transformation Outsourcing ou, em português, Terceirização da Transformação do Negócio), que remete à idéia de criação de prestadores de serviços que contribuam para o esforço de transformar a empresa, torná-la mais dinâmica, ágil e com uma operação mais flexível.

sábado, 19 de dezembro de 2009

Pensamento positivo: solução para tudo?

Existe um idéia generalizada de que pensamento positivo é a solução para quase todo tipo de problema. Desde falta de dinheiro, passando por doenças, até problemas sentimentais.

Para constatar isso, basta ver o sucesso de Rhonda Byrne e seu oportunista "O Segredo".

Pela primeira vez eu vejo uma pessoa se destacar da manada e contestar essa ditadura do pensamento positivo: Barbara Ehrenreich.

Ela escreveu um livro: “O Lado Ruim das Coisas: Como a Promoção Incansável do Pensamento Positivo Prejudicou a América” (tradução livre do original Bright- Sided: How the Relentless Promotion of Positive Thinking has Undermined America).

E deu uma entrevista para a revista Isto É, que pode ser lida aqui:

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/9062_ABAIXO+A+DITADURA+DO+PENSAMENTO+POSITIVO+.htm

Parabéns à escritora pela coragem de se posicionar contra o senso comum. Tenho certeza que ela será bombardeada de todos os lados.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

ITIL: Diferença entre Problema e Incidente

O ITIL - Information Technology Infrastructure Library – foi desenvolvido pelo governo britânico no final da década de 1980. O ITIL descreve os processos que são necessários para dar suporte à utilização e ao gerenciamento da infra-estrutura de TI. Ele mostrou que possui uma estrutura útil em diversos setores tendo em vista a sua adoção em várias empresas de gerenciamento de serviços de TI. Em meados da década de 1990 o ITIL foi reconhecido mundialmente como um padrão de fato para gerenciamento de serviços.

Dentre os diversos processos de negócio tratados pelo ITIL, existem dois, que apesar de parecerem semelhantes, tem objetivos diferentes: Gerenciamento de Incidentes e Gerenciamento de Problemas.

O Gerenciamento de Incidentes têm por objetivo restaurar a operação normal do serviço o mais rápido possível e garantir, desta forma, os melhores níveis de qualidade e disponibilidade do serviço.

O Gerenciamento de Problemas tem por objetivo identificar e remover erros do ambiente de TI, através da busca da causa raiz dos incidentes registrados no Gerenciamento de Incidentes, a fim de garantir uma estabilidade máxima dos serviços de TI.

Segundo o ITIL, incidente é qualquer evento que não faz parte da operação padrão de um serviço e que causa, ou pode causar, uma interrupção do serviço ou uma redução da sua qualidade; enquanto problema é a causa desconhecida de um ou mais incidentes, ou seja, um incidente que não tem sua causa raiz identificada acaba se tornando um problema.

Enquanto o Gerenciamento de Incidentes tem como foco restabelecer o serviço o mais rápido possível, minimizando impactos na operação do negócio dentro dos níveis de serviços estabelecidos (para isso, pode ser usada, por exemplo, uma solução de contorno temporária), o Gerenciamento de Problemas é o processo responsável por controlar o ciclo de vida dos problemas, prevenindo sua ocorrência, eliminando incidentes repetitivos e reduzindo o impacto dos incidentes nos serviços, através da identificação da sua causa raiz.

O processo de Gerenciamento de Problemas vai cuidar, portanto, da resolução definitiva e da prevenção de falhas que causam incidentes e afetam o funcionamento normal dos serviços de TI.

Como exemplo, podemos usar a metáfora de uma goteira em casa num dia de chuva. Se começa a pingar água pela laje da casa, isto é um incidente. Para resolver o incidente de forma imediata, podemos colocar um balde d’água sob a goteira. Isto é uma solução de contorno, mas, não resolve a causa raiz do incidente. Depois que pára de chover, é possível identificar a causa raiz do incidente, que pode ser uma telha quebrada e tratar a solução definitiva do problema, efetuando a troca da telha, neste caso está sendo feito o gerenciamento do problema, pois, a causa raiz foi identificada e tratada.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Até onde vai a Igreja Universal?

Antes de começar este post, eu gostaria de deixar bem claro que eu não tenho nada contra nenhum tipo de religião, especialmente as evangélicas. Eu sei que este meu aviso inicial não vai adiantar nada, mas, tudo bem, vamos em frente.

Eu fui criado dentro da cultura católica e cheguei a ser um católico praticante por algum tempo, porém, hoje eu considero que não sou religioso e acredito que a imagem que as religiões fazem de Deus e dos mistérios da vida, são muito mais coisas que as pessoas desejam que fosse verdade, do que realmente representam alguma coisa baseada em fundamentos concretos. Ou seja, para mim os homens criaram Deus a sua imagem e semelhança, muito mais do que Deus, se porventura realmente existir, tenha criado os homens a imagem e semelhança Dele.

Apesar disso, eu respeito muito todas as religiões, sejam de que origem for. Eu acho que elas têm um papel muito importante na vida de certas pessoas, principalmente no sentido de dar consolo, organização e razão à existência. Se as pessoas se sentem felizes acreditando e seguindo os mandamentos da sua religião, quem sou eu para dizer que elas estão erradas. Que sigam em frente e tenham sucesso, afinal de contas, o que realmente importa no final das contas é passar por essa vida de uma forma feliz.

Agora, se tem uma coisa que eu não suporto, são pilantras. Sejam esses pilantras brancos ou negros, brasileiros ou europeus, políticos ou trabalhadores, homens ou mulheres, ricos ou pobres, agnósticos ou religiosos.

Existem pilantras em todos os seguimentos da sociedade, inclusive, dentro das religiões (de várias religiões, a católica incluída). E estes pilantras que se inserem nas organizações religiosas, são da pior espécie possível, pois, eles se aproveitam das carências e fragilidades das pessoas e do respeito que eles impõem, para tirar proveito dos seus seguidores.

Dentro do conjunto de religiões evangélicas, existem diversas que são muito sérias e que estão realmente focadas no aspecto espiritual da sua atividade. Contudo, para mim fica bem claro que existem algumas religiões, cujo principal objetivo é extrair algum tipo de contribuição financeira dos seus fieis e o exemplo mais retumbante deste tipo de atitude é a Igreja Universal.

É impressionante a capacidade dessa organização de convencer as pessoas a dar dinheiro a eles. E as pessoas dão muito dinheiro, às vezes mais do que podem e de bom grado. Elas acreditam que isso realmente vai as favorecer junto a Deus, como se Deus precisasse de dinheiro para alguma coisa.

O mais impressionante, é que quanto mais denúncias são feitas sobre os métodos pouco ortodoxos utilizados pela organização para arrecadar contribuições ou sobre a utilização do dinheiro para proveito dos próprios pastores, mais forte eles ficam.

Mostram o "bispo" dando dicas de como arrancar dinheiro dos fiéis, a organização cresce.

Mostram o outro "bispo" apertando os peitinhos dos colegas num corredor de hotel, numa farra meio adolescente, a organização cresce.

Mostram aviões de dinheiro para cima e para baixo, a organização cresce.

Mostram o cara chutando uma santa só para fazer bonitinho para os seus fiéis, a organização cresce.

Mostram a igreja convencendo os seus fiéis a entrarem simultaneamente na justiça contra um jornal no país inteiro, a organização cresce.

Mostram a igreja como uma organização empresarial nos mais diversos seguimentos e a organização continua crescendo.

E esse crescimento todo para que?

Apenas para lucrar como grupo empresarial e dar um alto padrão de vida aos seus líderes, negligenciando completamente a função espiritual da igreja.

Vejam o caso da Rede Record, ela é uma televisão essencialmente comercial, mantida com recursos da igreja e o seu principal objetivo é desbancar a Rede Globo da liderança. E para isso, vale tudo: vale mostrar baixaria, mulher pelada, violência, etc. Só não vale mostrar assuntos ligados a religião católica.

Que sentido faz uma organização religiosa ter uma rede de televisão que propaga tais valores? Para mim só faz sentido se o objetivo for puramente financeiro.

E apesar disso tudo estar claro e explícito para todo mundo, a organização continua crescendo continuamente.

Eu realmente não consigo entender. Onde isso vai parar? Quando é que as pessoas vão se dar conta que estão sendo usurpadas? Que nível de poder esse pessoal vai conseguir atingir? Hoje eles já interferem na vida política do país elegendo deputados, senadores, etc. O próximo passo será eleger um presidente da república?

Se nós não acordarmos e passar a lutar contra isso, em pouco tempo nós passaremos a ser a “República Teocrática Universal Dinheirista do Reino de Deus do Brasil”.