sexta-feira, 6 de março de 2009
A lenda da caneta espacial
Quando a NASA iniciou o lançamento de foguetes tripulados, descobriu-se que as canetas não funcionariam com gravidade zero.
Para resolver este "enorme" problema, contrataram a Andersen Consulting, hoje Accenture.
Empregaram uma década e 12 milhões de dólares. Conseguiram desenvolver uma caneta que escrevesse com gravidade zero, de ponta cabeça, debaixo d'água, em praticamente qualquer superfície, incluindo cristal e em variações de temperatura, desde abaixo de 0º até mais de 300º Celsius...
...os russos utilizaram um lápis!
A história é muito interessante e geralmente diverte quem a ouve. O problema, é que se trata apenas de uma lenda. Não tem nenhum fundamento.
Na verdade, tanto os russos como os americanos inicialmente usaram lápis para escrever no espaço. Porém, ele criava graves problemas.
Sempre que a ponta do lápis quebrava, ela se perdia pela nave, podendo infiltrar-se nos instrumentos elétricos e provocar curtos-circuitos. Mais perigosas ainda eram as pequenas poeiras de grafite, que flutuavam no espaço e passavam pelos orifícios menores. Se chegassem a uma parte mais aquecida da cabine, podiam incendiar-se instantaneamente, dada a elevada percentagem de oxigênio no ambiente das naves.
Por isso, tanto norte-americanos como russos estavam interessados em encontrar instrumentos de escrita alternativos.
Quem resolveu o problema não foi a NASA, que não investiu um tostão na pesquisa. Foi o fabricante norte-americano Paul C. Fisher, que investiu algum dinheiro na investigação da esferográfica espacial, mas nada de parecido com milhões de dólares, e registrou a sua patente.
A NASA não pagou esse investimento e limitou-se a comprar esferográficas ao seu inventor, que as vendeu a 2,95 dólares cada. A partir de 1968, as "Fisher Space Pens", como ficaram conhecidas, passaram a fazer parte do equipamento usual dos astronautas. Os russos também usaram estas mesmas canetas. Elas continuam a ser comercializadas até hoje pela Fisher e há variantes que são vendidas a bordo de algumas companhias aéreas.
Funcionam no vácuo e sem gravidade. Escrevem tanto no calor, até 150º positivos, como no frio, até 120º negativos.
Quem quiser adquirir uma caneta espacial pode entrar no site do fabricante: http://www.spacepen.com
Mais detalhes desta história podem ser obtidos em: http://urbanlegends.about.com/library/bl_zero_gravity_pen.htm
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Os tipos de eventos empresariais
Briefing
Consiste em uma exposição oral de um profissional de renome para participantes que possuem conhecimento prévio do assunto a ser debatido. É um produto informativo, mais focado que, normalmente, acompanha uma conferência. Existem dois tipos de briefing: introdutório e avançado. O primeiro, procura oferecer aos participantes a informação necessária para acompanhar as discussões a serem desenvolvidas em uma conferência correlata. Já o segundo, dá um aprofundamento sobre determinado assunto que já foi objeto de discussão em uma conferência correlata.
Consiste sempre em duas partes: o auditório e os expositores. Os expositores normalmente são especialistas em determinado assunto e discorrem sobre o mesmo. Ao final deste período, respondem a perguntas formuladas pelo auditório. A conferência visa a um público específico que demonstra familiaridade com o assunto abordado. Segundo as empresas organizadoras, é um serviço que dá ao mercado informações gerenciais, práticas e focadas para executivos. Dos produtos informativos interativos é o mais complexo e o que oferece melhor relação custo-benefício. Além de oferecer aos participantes a absorção de informação prática, dá também a oportunidade de realizar contatos e negócios, além de trocar experiências com os demais participantes, uma vez que o público de conferências tem bastante familiaridade com o tema abordado.
Congresso
É um conjunto de atividades, normalmente promovido por entidades associativas, visando ao debate de assuntos que interessem a um determinado segmento, possui um tema geral, que é exposto em subtemas e apresentado sob diferentes formatos, tais como mesas-redondas, conferências, simpósios, palestras, comissões, painéis, cursos, mostras, exposições, feiras, entre outras. Os congressos podem ser regionais, nacionais ou internacionais. É um produto bastante abrangente, com a participação de públicos com formação diferenciada, porém não muito focado. É interessante para contatos e para se manter informado sobre o que está acontecendo no setor que ele representa. Em geral, há uma discussão aberta entre a platéia e o palestrante. Tudo o que acontece no congresso é, geralmente, gravado e transformado num documento final (anais) entregue aos congressistas após o evento. Há também uma programação social paralela.
É planejado por uma comissão organizadora, que elabora e aprova o regulamento e o regimento. Os congressos apresentam, ainda, comissões técnicas formadas por grupo de estudiosos de um tema, com a finalidade de analisar trabalhos ou debaterem sobre temas, que serão apresentados ao plenário, de acordo com o regimento.
Algumas organizações utilizam o nome de Conferência para eventos organizados com o estilo do Congresso, isto se deve a uma tradução errônea do inglês. Em inglês Congresso é congress, conference, assembly ou ainda reunion.
Convenção
Funciona como um congresso, mas o público é diferente, na convenção há uma ligação maior entre os participantes. É promovida por entidades empresariais ou políticas. Em todas as convenções, busca-se a integração das pessoas pertencentes a uma determinada organização, submetendo-se a certos estímulos coletivos para que possam agir em defesa dos interesses da instituição promotora. Há uma exposição maior de assuntos por várias pessoas com a presença de um coordenador. A dinâmica é escolhida pelo organizador quando a duração é de vários dias. Como as convenções são reuniões fechadas, que têm por objetivo alguma conclusão, as informações são muito específicas e direcionadas ao grupo que participa do evento.
Curso
Consiste no detalhamento de determinado assunto ou conjunto de temas com o foco de "treinar" ou "ensinar a fazer". É composto de exposições de pessoas normalmente com formação acadêmica que procuram passar seu conhecimento aos participantes. O foco está mais na teoria que na prática, porém não a exclui. É indicado para pessoas que têm baixo ou nenhum conhecimento sobre o assunto, com exceção dos cursos de especialização, cujo objetivo é o aperfeiçoamento daqueles que já dominam o assunto.
Debate
É uma discussão entre dois ou mais oradores que defendem opiniões divergentes. Em geral, é uma discussão mais emocional. O público pode ou não participar. Um mediador dita as regras e faz com que os oradores as cumpram.
Fórum
É uma reunião menos formal em que há troca de informações e um livre debate de idéias, com a presença de grandes audiências. Seu objetivo é conseguir a efetiva participação da platéia, sempre numerosa, que deve ser sensibilizada e motivada. O fórum está tendo cada vez mais aceitação por permitir a discussão de problemas mais abrangentes que tratam de assuntos gerais de setores ou de temas de interesse social ou político (Ex: Fórum de Luta contra a AIDS, Fórum Social Mundial).
Os temas, anteriormente pesquisados, são expostos por orador indicado pelos grupos participantes, geralmente entidades representativas de segmentos da sociedade, e apresentados à mesa de trabalho, constituída por autoridades ou especialistas. O evento deve ser coordenado por um moderador, que definirá as regras de apresentação de cada grupo.
Mesa-redonda
É uma reunião do tipo clássico, preparada e conduzida por um coordenador, que funciona como elemento moderador, orientando a discussão para que ela se mantenha sempre em torno do tema principal. Os expositores têm um tempo limitado para apresentar suas idéias e para o debate posterior. Normalmente, a mesa-redonda está inserida em eventos mais abrangentes. É utilizada quando o assunto ainda não está consolidado e suscita discussões. Ideal para quem quer ter visões diferentes sobre um determinado tema.
Painel
Os temas abordados nesse evento não são uniformes. Um exemplo seria um painel sobre a empresa do terceiro milênio com a presença de profissionais de várias áreas para falar sobre mudança no trato com o cliente, condições de trabalho e soluções tecnológicas.
Painel de Debates
Outro tipo de reunião, derivado da mesa-redonda. A diferença é que no painel os expositores debatem entre si o assunto da pauta, cabendo ao público assistente funcionar somente como espectador. Outra distinção: no painel, os debatedores são profissionais e renomados nos meios em que atuam, o que não acontece necessariamente na mesa-redonda. Além do presidente, o painel poderá ter um coordenador e um moderador.
Palestra
Apresentação de curta duração por um especialista em um assunto específico onde a platéia não tem atuação ativa, porém, eventualmente pode incluir a formulação de perguntas pela platéia. Muitas vezes está incluída dentro de outro evento maior.
Seminário
Encontro de especialistas em um assunto específico. Os oradores apresentam um estudo sobre o tema e depois debatem com a platéia, que tem quase o mesmo nível de conhecimento que os palestrantes. O moderador deve ser um especialista e pode participar fazendo perguntas. É uma reunião na qual "semeiam-se" idéias, ou seja, o objetivo não é apresentar resultados de pesquisas, mas suscitar o debate sobre determinados temas, até então pouco estudados. A dinâmica do seminário divide-se em três momentos: a fase de exposição, a de discussão e a de conclusão. Trata-se de um produto informativo mais focado, porém parcial. Como a informação tem normalmente uma única fonte - o orador ou expositor - pode apresentar certo viés.
Simpósio
É um derivado da mesa-redonda, possuindo como característica o fato de ser de alto nível, com a participação de aspectos diferentes de determinados assuntos e sempre com a presença de um coordenador. A reunião é para a discussão de um determinado tema, geralmente científico (uma nova lei, por exemplo). Aqui não são apresentadas as conclusões de uma pesquisa, mas sim impressões sobre um determinado assunto que é colocado em debate. Vários oradores debatem o tema na mesa, muitas vezes com a participação do auditório. Nesse caso, o coordenador não precisa ser um especialista.
Workshop
Tem como objetivo detalhar ou aprofundar um determinado assunto de maneira mais prática. Há discussões de casos práticos e participação intensa do público. Deve ser feito em grupos pequenos, normalmente possui um moderador e um ou dois expositores. A dinâmica da sessão divide-se em duas partes: teórica e prática. A primeira caracteriza-se pela apresentação teórica de um tema e a segunda trata da fase prática, na qual os participantes analisam as informações recebidas. Pode estar atrelado a uma conferência, em que são discutidos outros assuntos relacionados ao tema do workshop.
quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009
SLA - Acordo de Nível de Serviço
Em um post anterior eu falei sobre terceirização do processo de desenvolvimento de software e disse que iria entrar em maiores detalhes sobre Acordo de Nível de Serviço como forma de garantir o sucesso do processo.
De acordo com a Wikipédia, Acordo de Nível de Serviço (ou em inglês, Service Level Agreement - SLA) é um contrato entre um fornecedor de serviços e um cliente, especificando em termos mensuráveis, quais serviços o fornecedor vai prestar. O objetivo principal do SLA é garantir contratualmente, características de qualidade, eficiência e eficácia dos produtos e serviços disponibilizados para os clientes.
Caso o SLA não seja cumprido, o cliente pode, por exemplo, cobrar multa do fornecedor do serviço.
Um contrato de SLA inclui informações sobre: a definição dos serviços, performance, gerenciamento de problemas, responsabilidade de ambas as partes, garantias, medidas emergenciais, planos alternativos, planos para soluções temporárias, relatórios de monitoramento, segurança, confidencialidade e cancelamento do contrato.
O contrato de SLA pode incluir, entre outros termos, especificações para:
Para que a implementação tenha sucesso, um SLA deverá prever penalidades pelo não cumprimento, caso contrário, os indicadores acabam se tornando um número ao qual ninguém dá atenção. Pode haver também um sistema de bônus por performance acima do esperado.
Em um próximo post, eu vou mostrar um exemplo prático de Acordo de Nível de Serviço para um processo hipotético e simplificado de construção de software terceirizada.
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
Crise nas faculdades particulares
A qualidade, naturalmente, não acompanhou a onda de expansão. Muitas dessas faculdades usam o velho lema "pagou-passou" e a fiscalização do MEC é insignificante.
Quem sai prejudicado nesta história é o estudante, que se sacrifica para pagar um curso superior e sai com uma formação de baixo nível e com pouco reconhecimento pelo mercado.
Agora, o processo de seleção natural está começando a entrar em ação e neste início de ano várias notícias de crise nas faculdades particulares começaram a pipocar na imprensa. Em São Paulo e Minas Gerais os professores estão ameaçando entrar em greve devido a atrasos nos pagamentos.
É natural que depois de uma expansão tão forte, haja uma acomodação no mercado e apenas as instituições melhor adaptadas sobrevivam (já que estamos comemorando os 200 anos de Charles Darwin, por que não aplicar a teoria da evolução no mercado de ensino?).
O problema todo é o papel do MEC nesse contexto: o governo permitiu a abertura de diversos cursos sem nenhum critério (que o digam os bacharéis em direito que não conseguem nem ao menos passar na prova da OAB); não acompanhou essas instituições para ver a qualidade dos cursos que estavam oferecendo (existe o provão, mas até hoje o seu resultado não foi usado para praticamente nenhuma ação concreta) e nem avaliou a saúde financeira das mesmas; agora que o barco está ameaçando afundar, não dá nenhum tipo de assistência aos alunos que são apenas vítimas do descaso do governo e das respectivas instituições de ensino.
Se uma instituição dessas falir para valer, será que os seus controladores vão ficar quebrados também? Ou apenas os alunos e funcionários ficarão a ver navios?
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
Construção de software: interna ou terceirizada?
Hoje existe uma forte tendência das empresas terceirizarem partes do desenvolvimento de software. Algumas empresas terceirizam todo o processo de desenvolvimento e ficam apenas com a gestão. Outras empresas ficam com a elaboração e a implantação e terceirizam a construção. Não confundir isso com a simples terceirização de mão-de-obra, pois, no meu exemplo estão sendo terceirizados os processos e não apenas as pessoas que irão executá-los.
Anteriormente eu já trabalhei em uma empresa onde todo o processo de desenvolvimento era terceirizado, mas, no momento estou em uma empresa que terceiriza apenas a construção e os testes unitários.
Mas, apesar de cada vez mais o modelo de processo de desenvolvimento totalmente interno estar sendo abandonado, ainda não existe um consenso se é melhor terceirizar ou construir internamente.
As vantagens mais evidentes de terceirizar são:
- Melhora a documentação do software, pois, como o processo de desenvolvimento passa a ser mais formal, torna-se obrigatório registrar cada etapa.
- Evita a manutenção de equipes inchadas dentro da empresa para atender os picos de demanda.
- Diminui o investimento constante na qualificação da equipe para absorver as novas tecnologias.
- Dependendo da forma de contratação, pode permitir a diminuição de custos.
- A empresa mantém o foco no seu negócio, deixando a tecnologia para quem é do ramo (isto quando o negócio principal da empresa não é TI).
Já as principais vantagens de desenvolver internamente são:
- A empresa mantém um controle maior sobre o processo de desenvolvimento e sobre os prazos.
- A equipe de desenvolvimento é mais qualificada no negócio, pois, se dedica apenas ao cliente interno.
- A rotatividade de pessoas é menor.
Existem alguns pontos que são considerados polêmicos:
- As informações estratégicas podem ficar menos seguras, pois, estarão acessíveis por pessoas de fora da empresa.
- A empresa pode acabar contratando parceiros que estão pensando apenas no resultado financeiro e para isso abrem mão da qualidade e da qualificação da equipe de desenvolvimento.
- Possíveis problemas trabalhistas na empresa contratada podem acabar gerando passivo trabalhista na empresa contratante.
- A burocracia nas relações é muito grande e pode acabar aumentando os prazos de execução.
- O rodízio das pessoas alocadas na contratante, pode não permitir criar uma cultura associada ao negócio.
- A empresa pode acabar ficando muito dependente do fornecedor.
A decisão por terceirizar deve ser muito criteriosa, já que ela pode se tornar tanto um diferencial competitivo, quanto acrescentar novos riscos ao negócio.
Polêmicas à parte, considerando que a decisão da empresa é terceirizar alguma parte do desenvolvimento de software, além de tomar cuidados básicos: fazer uma seleção criteriosa entre os candidatos a subcontratado, acompanhar o desempenho do subcontratado detectando precocemente sintomas de problemas, planejar e executar os procedimentos de aceitação do produto. Existem dois outros pontos que são fundamentais para que haja sucesso:
1) Processo
É necessário que o processo de desenvolvimento esteja muito bem definido, todas as partes envolvidas tenha pleno conhecimento dele e que o mesmo não seja muito pesado, causando atraso nos prazos. Somente com o processo de desenvolvimento bem "azeitado", será possível que duas empresas diferentes trabalhem juntas e o resultado final seja melhor que o de uma empresa trabalhando sozinha.
2) Acordo de Nível de Serviço
É necessário existir um acordo de nível de serviço bem definido entre as partes, onde ambas tenham bem claras quais obrigações deverão cumprir, em qual prazo e qual serão as penalidades em caso de não cumprimento. É preciso que se definam indicadores para monitorar o cumprimento do acordo. Se tudo isso não estiver muito entendido pelas partes, o relacionamento se tornará um caos e as discussões sobre quem é o culpado se estenderão indefinidamente.
Os contratos de nível de serviço devem ser explícitos. Quanto mais detalhados e mensuráveis eles forem, mais fácil será definir o sucesso.
Posteriormente eu entrarei em mais detalhes sobre acordos de nível de serviço em desenvolvimento de software e darei alguns exemplos.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2009
Valeu Gurgel
Ele foi o idealizador da fábrica de automóveis Gurgel, que entre 1969 e 1994 produziu cerca de 40.000 veículos. Entre eles, diversos modelos de utilitários e, o projeto mais ousado, o compacto BR-800. Infelizmente, a empresa acabou falindo.
A principal marca que o empresário deixa é o fato de ter sido um trabalhador idealista. Ele sonhou com uma indústria nacional de automóveis, mas acabou como tantos outros, sendo derrotado por um país que trata tão mal quem quer produzir.
Hoje a gente vê a indústria automobilística da Coreia do Sul, que na década de 1970 era até mais atrasada que a brasileira, e imagina a importância que o trabalho de Gurgel poderia ter tido para o Brasil se ele tivesse o mesmo terreno fértil que os coreanos tiveram para se desenvolver. Poderíamos ter espalhado pelo mundo o equivalente da Hyundai-Kia de capital brasileiro.
Mas a família de Gurgel pode sentir orgulho do homem que se foi, pois, ele é um exemplo a ser seguido por quem deseja um país melhor e menos dependente.
A história de João Amaral Gurgel precisa ser mais difundida e o seu trabalho mais valorizado.
terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Que fim levou a TV Digital no Brasil?
Porém, passados mais de um ano, a TV Digital ainda é uma incógnita: pouquíssimas pessoas já a viram funcionando para valer. Segundo o UOL, em dezembro de 2008, apenas 0,5% da população brasileira tinha acesso a TV Digital.
O que a aconteceu para a TV Digital não deslanchar da maneira que era esperado?
Os especialistas apontam vários motivos:
- O preço do conversor;
- A reação natural das pessoas a novas tecnologias;
- A falta de conteúdo específico para a nova tecnologia.
Eu acredito que hajam razões um pouco mais sutis:
Existem no Brasil basicamente dois públicos de televisão: os que assistem TV aberta captada através de antenas e os que assistem TV por assinatura, seja por cabo ou por satélite.
O primeiro grupo seria o público natural para a nova TV Digital, pois, o segundo grupo depende das empresas de TV a cabo migrarem o sinal para o formato digital.
Acontece, que as pessoas que assistem a TV aberta, normalmente, são também as que têm menor poder aquisitivo e, consequentemente, possuem os aparelhos de TV mais antigos. Sendo que os aparelhos de TV antigos são muito pouco beneficiados com a melhoria do sinal oferecido pela TV Digital, já que, eles já estão no limite da sua qualidade. Além disso, para este público o preço do conversor pesa muito mais no bolso.
Ou seja, a TV Digital está numa encruzilhada. Quem tem dinheiro para usufruir os seus benefícios, não tem interesse, pois, está amarrado a uma empresa de TV por assinatura. Quem teria interesse imediato na TV Digital, não tem dinheiro para comprar televisores mais modernos e aparelhos conversores.
Eu acho que a TV Digital não deslancha, enquanto este nó não for desatado.
quinta-feira, 22 de janeiro de 2009
Produtividade em empresas estatais
A questão é saber os motivos pelos quais as empresas estatais são menos produtivas. Não basta simplesmente colocar a culpa sobre os funcionários, dizendo que eles são acomodados e não estão preocupados com os resultados da empresa, pois, em geral, eles não são mandados embora. Este certamente é um dos fatores, mas, com certeza não é o único.
A empresa estatal sofre muito em função das restrições da legislação. Com razão, para evitar o mau uso do dinheiro público, a legislação engessa muito a forma da estatal trabalhar. Até para comprar café para os funcionários, é necessário fazer licitação. Imagina então, para contratar fornecedores e realizar terceirizações. Principalmente quando os valores dos contratos são elevados, um processo de licitação pode se arrastar por meses.
Outra restrição da empresa estatal, é que a princípio ela só pode contratar mão-de-obra através de concursos públicos e, certamente, esta não é a maneira mais correta de se fazer um recrutamento. Muitas vezes, a empresa contrata um funcionário que sabe bem a teoria, pois, passou na prova, mas, não consegue aplicar este conhecimento na prática. Outras vezes, o funcionário não tem o perfil mais adequado para a vaga, mas, inicialmente a empresa é obrigada a aceita-lo, afinal, ele passou pelo processo seletivo e é necessário um desempenho claramente abaixo da expectativa para eliminá-lo no período de experiência. Isso obriga as empresas a investirem muito em treinamento para deixar os novos funcionários em condições de exercer suas atividades de maneira mais eficiente.
A empresa estatal sofre ainda com a descontinuidade administrativa. Como geralmente ela está vinculada a um governo, sempre que há troca de comando no mesmo, o comando da empresa também é trocado. Assim, se invertem as prioridades e as metas estabelecidas anteriormente.
Resta saber qual é a solução. Privatizar pode ser uma boa opção em alguns casos. Não faz sentido o governo atuar em atividades que não sejam voltadas às suas atribuições sociais, tais como, telecomunicações, mineração e siderurgia. As empresas destes setores, que foram privatizadas, estão muito mais produtivas e rentáveis administradas pela iniciativa privada.
Mas existem outros setores onde eu considero importante que haja uma participação efetiva do governo, tais como, saneamento, energia e saúde, pois, são setores onde o componente social é muito forte e não é interessante deixá-los a mercê de empresas que estão interessadas exclusivamente no resultado financeiro.
Para as empresas que permanecerem sob administração do governo, caberá aos seus gestores e, principalmente, aos funcionários de médio e baixo escalão, trabalhar para que a empresa seja o mais produtiva possível dentro dos limites que lhe são impostos.
Eu digo que cabe principalmente ao médio e baixo escalão, pois, esta é a parte da empresa que normalmente tem continuidade. O alto escalão geralmente tem um componente político muito forte e é trocado a cada governo. Portanto, quem "segura as pontas" e pode fazer com que a empresa dê sequência no seu planejamento e foque em seus valores, são os funcionários de carreira que passam pelas diversas administrações políticas.
Pois, só sendo eficientes, produtivas, prestando um serviço de qualidade e cumprindo seu papel social, será possível defender o papel das empresas estatais junto a sociedade.
sexta-feira, 16 de janeiro de 2009
A remuneração exagerada de certos profissionais
Não é raro ouvirmos notícias de jogadores de basquete da NBA que faturam mais de 30 milhões de dólares por ano, atores que recebem 20 milhões de dólares para trabalhar em um único filme, isso, sem falar nos jogadores de futebol, corredores de Fórmula 1, entre outros.
O que torna o caso destes profissionais interessante, é que eles são remunerados exclusivamente por seu talento individual e o potencial de mobilização de massa que eles representam, ou seja, eles não são grandes empresários e nem produtores de bens de consumo.
É interessante observarmos, que outros tipos de profissionais de ponta que vendem exclusivamente o seu talento e que contribuem de maneira muito mais concreta para o desenvolvimento da sociedade como, por exemplo, um cientista que pesquisa novas drogas e tratamentos medicinais, um executivo que sem ser acionista comanda uma grande empresa, normalmente têm rendimentos muito inferiores aos profissionais citados acima.
O que é diferente no segundo caso, é que estes profissionais não têm influência direta no comportamento da população, enquanto no primeiro caso a influência é imediata e certeira.
Ainda podemos verificar que o valor faturado por um esportista ou ator em um único ano é muito maior do que a grande maioria dos trabalhadores, mesmo aqueles bem qualificados, recebem em toda sua vida produtiva.
É claro que os empresários do esporte ou das artes cênicas não são malucos nem, muito menos, jogam dinheiro pela janela. Se eles gastam 150 milhões para fazer um filme, boa parte disso com o salário dos grandes atores, é claro que a intenção deles é faturar muito mais. E os atores que mobilizam multidões tem um papel importante na hora de garantir o sucesso do empreendimento.
O que eu questiono é a inversão de valores que está ocorrendo na nossa sociedade, onde um jogador de basquete, por melhor que seja, a única coisa que faz é jogar uma bola dentro de uma cesta e ele, pelos padrões estabelecidos, vale muito mais que um cientista que dedica toda sua vida a pesquisas que podem efetivamente tornar o mundo melhor e influênciar a vida das pessoas de forma muito mais permanente.
A responsabilidade desta distorção é, antes de tudo nossa, que corremos para a fila do cinema assim que é lançada uma nova mega-produção de Hollywood ou que nos dispomos a pagar pequenas fortunas para assistir a final de um campeonato no estádio.
Resta saber, até quando a sociedade vai aceitar este esquema de valorização do trabalho, onde o supérfluo vale cada vez mais e o trabalho sério e responsável está se estagnando ao longo dos anos. Considerando ainda, que pessoas que não tem condições mínimas de saúde, educação, alimentação e moradia contribuem de maneira decisiva para sustentar as grandes estrelas.
É impossível prever o futuro, porém, já se pode notar que algumas pessoas começam a questionar estes valores, tenho certeza que dentro de algum tempo começarão a surgir movimentos sociais mais concretos com o objetivo de tentar equilibrar a balança de valores de uma forma um pouco mais justa.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
As previsões de tecnologia mais furadas de todos os tempos
Abaixo, eu relacionei as sete previsões, porém, quem quiser mais detalhes, visite o IDG Now, pois, lá eles comentam e contextualizam cada uma.
1) O grande computador: "Acho que existe um mercado mundial de talvez cinco computadores." - Thomas Watson, presidente da IBM, em 1943.
2) A caixa de madeira: "A televisão não será capaz de se fixar em qualquer mercado onde for inserida após seis meses. As pessoas logo se cansarão de ficar olhando para uma caixa de madeira compensada todas as noites." - Darryl Zanuck, executivo da 20th Century Fox, em 1946.
3) Invasão nuclear: "Aspiradores de pó movidos a energia nuclear serão provavelmente uma realidade em dez anos." - Alex Lewyt, presidente da Lewyt, fabricante de aspiradores de pó, em 1955.
4) PC para quê? "Não há razão para que qualquer pessoa queira ter um computador em sua casa." - Ken Olsen, fundador da Digital Equipment Corporation, em 1977.
5) Engolindo as palavras: "Quase todas as previsões feitas agora sobre 1996 se baseiam no contínuo crescimento exponencial da internet. Mas eu prevejo que logo a internet vai se tornar uma espetacular supernova e em 1996 entrará em colapso catastroficamente." - Robert Metcalfe, fundador da 3Com, em 1995.
6) Maçã podre: "A Apple já está morta." - Nathan Myhrvold, ex-Chief Technology Officer (CTO) da Microsoft, em 1997.
7) O fim do spam: "Em dois anos, o spam terá desaparecido." - Bill Gates, fundador da Microsoft, em 2004.